Visão miserável de um punhado de feições que arranham com a sua estranheza o meu discurso que se pretende poético, que se pretende brioso, sujo, escatologicamente suntuoso, de mil maneiras, escaldante. Poesia temerária, rabujenta, escrota, magnificente. Versos como lanças, como navalhas, na carne, nos olhos tortos, opacos, arruinados pelas paupérrimas e pequeninas almas, vítimas das paixões que cerceiam, que limitam a potência de ser, de existir... Quais palavras, quais afetos, quais desassossegos, quais embates para atear labaredas nessa massa disforme, apática, sem gosto? Tão irritantes são! Aplausos brochantes! Platéia desgraçada! Elogios bestas! Que despropósito é o meu intento. Como tocá-los, perpassá-los, roçá-los, com as vilanias que cantarolam a vida, com as estúpidas canções de meus dissabores, de minhas fortunas? Onde estará o equívoco? Em mim? Neles? Como afetá-los? Deformam-me com o deboche velado e cada vez mais me vejo estéril, aleijado, desmembrado... Enfim, minha raiva se avoluma, se assoma como coisa descomunal a bradar, a rugir como besta indômita, prestes a cuspir a discordia que pelas palavras se revela no pus do corpo vivo como flecha a esfacelar a insipidez desses mentecaptos, desses pintos sujos, dessas bucetas mal lavadas. Que perda de tempo, me retiro, me desloco pro lugar mais proximo, um boteco com livros e com putas. Poderiam haver butecos com livros e putas. Seria perfeito, mas apenas delirios e mais delirios. Até mais! De preferência, até outro sarau de bebados, putas, mendigos e esquizofrênicos. Até mais, grei de babacas!
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