sexta-feira, 29 de março de 2013

ETERNO ERASTES



Pálido, absorto em seu fracasso, em seu amanhecer tardio, em seu aconchego choroso, imóvel, entorpecido pelas vaidades a sussurarem luxúria nas entranhas de seu sugestionável e tolo espírito,  bardo vadio cinzela suas lágrimas em páginas de desvario, de dolência renitente e maldita, sujeito a fazer de si objeto de sua amargura, de sua vingança, poetastro a versejar seu corpo em poesias melancólicas, trôpegas, rotas, etílicas!
Lá fora a noite cai queixosa, em sua desarmonia típica, em sua magia absoluta e inalcançável, testemunha solitária, empática para com o vazio retumbante e desagregador de linhas caóticas, traiçoeiras e soturnas, tão somente a se manifestarem em seu grito agudo, horripilante e desfigurado. Transeuntes de molejos sádicos e hostis a romperem nas entrelinhas de um texto escrito por mãos suaves, melindrosas, porém sedutoras, dúbias, sacanas, inescrupulosas. Faces informes a pincelarem balbucios, letra ininteligível, forasteira, de pura intensidade, desterritorializada, deslocada em nomadismo incessante a produzir falhas, faíscas, rupturas no devir selvagem de si para consigo, no vir a ser vertiginoso, raivoso, Cu a se precipitar em desespero abismal, em sua imagem retalhada por silvo tentador de víbora vadia. Movimento paralisante, circular, que nada produz, a não ser sua angustia instransponível, enigmática, infinda...
Enfim tropeça no limite de sua agonia, prestes a se lançar fora da cena de sua utopia desmedida, fátua. Talvez a métrica de seu romantismo o aporrinhe, talvez as marcas de certos lábios,  ou de uma caligrafia não tão distante, reverberem em sua intimidade mais recôndita, ensimesmada. Boêmio, erastes, amante que é, em seu vicio, em seu amor, em sua angústia...

domingo, 10 de março de 2013

Conversinha de Putinha




Ecos intrometidos a resvalarem pelos volúveis e leves dedos de sua língua ferina, maldita, corrosiva. Amor moribundo a deixar marcas em carne enrijecida pelo ressentimento intragável a permanecer em estômago pusilânime, em espírito pífio, servo de paixões,  de signos que o escarram como covarde canalha, escroto, ignóbil. A sua verdade no fel de devassidão de lábios a espancarem seu espírito, calejado pelas farpas de suas mentiras adocicadas pelo amargor de seus lindos olhos verdes, a entoarem versos trôpegos, densos a se esvaírem por linhas leves, frouxas, fluídas em seu complô silencioso, em sua trama enigmática, lisa, imperceptível...
Conversinha de putinha, de merdinha, a morder os cotovelos pelas farpas que esfacelam suas vísceras mais intimas, sua mágoa mais sincera, sua vaidade mais arredia a se enovelar pelas pistas que se perdem pelos discursos de sua carne a se endurecer como pinto mole sem vida, sem tesão por uma bucetinha úmida, salgadinha. Corpo a padecer pelo gume infalível de navalha vertiginosa, aguda, traiçoeira, porém bela e fascinante em seus cortes de superfície que maquiam penetrantes pulsões silentes, discretas. Sua estupidez é dispendiosa, sua carne mais hermética, refém do reflexo pretérito, pois seu cu cada vez mais violado, arrombado pelo toque sádico e irremediável de seu beijo.



CU




O ânus sujo de sangue e de merda bem após o longo período de convalescença.  Menorréias anais em fluxo de acanhamento pálido e de perda da virilidade intocável. Não tolamente errem em meio de especulações equivocadas sobre tais palavras. Apenas o ânus sangra e não sangra pela violência de um potente falo. Não há falo nas entrelinhas. Apenas sangra pelo fato, quiça, de querer sangrar. Ou sangra pela perda da merda que se vai sem cerimônia e ainda lhe deixa um fétido odor como lembrança. Ingrata. As gotas lhe são como lágrimas encarnadas na metáfora do despeito do cú que chora. Chora, Cú! Não tenha receio, ou constrangimento, de expressar sua dor. Arrote se quiser. Fique cheio de bosta. Boicote à limpeza. Ignore a higiene. O que todos querem de você é sempre “o vai tomar no cú”! Jamais se esqueça disso, pois você, Cú, continua repleto de sangue. É o seu sangue que se perde. Chore, Cú. Chore...


sexta-feira, 1 de junho de 2012

OS VERSOS DISTANTES DA NOITE


Contornos suaves a esboçarem a imensidão de faces frias dos amantes das ventanias que sussurram em nosso peito cismado as vadias canções de ninar tão vacilantes, tão aconchegantes à medida que deitamos sob os assobios tímidos, luminosos do monólogo da noite... Enfim observamos sua agonia, nós, poetastros, pois auscultamos sua beleza velada, negada, receosa em ser alcançada, metrificada pelo cinzel da poiesis de um demônio bendito, delicado, aborrecidamente INQUIETO! A fumaça se encanta nas cinzas gélidas sob os lábios sequiosos por suspiros a admirarem o espetáculo do LUAR que se lança como rapariga sem-vergonha nas penhas que se perfilam no horizonte admirável, pitoresco, inefável. A cada retalho cosemos as fadigas de suas idas e vindas em singulares descompassos, desarranjos, no bordel de palavras frouxas, escorregadias a desvelarem a sensação ignota, porém infinita, do entorno expansivo, contagioso, de seus versos distantes, fugidios, cautelosos, abundantes... 

segunda-feira, 16 de abril de 2012

CORPO SEM FALO

Sensações estrangeiras numa confluência inédita de retalhos que se abraçam em gemidos de palavras-putinhas, palavrinhas que se comem, que se chupam, num boquete esplêndido de recursos estilísticos da poiesis de um anal bem feito, com dedos, mãos, braços, que se confundem com a merda do CU em seu gozo bizarro, escatológico! Enunciado da fala sem pinto, nada de pau no cu ou frases de ambivalência do Édipo! Q sejam a-significantes enquanto durar o discurso que se perde nas entrelinhas de um corpo-sem-falo, sem cretinismo PINTOCRATICO! Diga-se fora os organismos bucetacraticos, bundacraticos, Q SEJA O CU REVOLUCIONARIO, Q SEJA o gozo assexuado de novos livros, sem órgãos, sem OVOS, q a gozada seja sem raiz, q seja vadia, palavrinhas-putinhas de língua sacana, a poética da existência se dá no fora, Vida sem apriori, sem formulas, corpo esfacelado, INTENSO, assexuado, pluralidades nos encontros das prosmícuas de esquinas suburbanas, planícies que se assumem como novidades, palavrinhas-vadias num rabo de caosificação assimbolica filha da puta, enfim, real, possível, enfim, a demanda necessária do tempo, da INVENÇÃO. Corpo sem falo, poeticamente peralta, vagal... Enfim, acorde!

TABERNA, PRIVADA, PARTO APENAS ESCREVO

Escrevo, pois sou uma puta parturiente de palavras insanas que se lançam num cortejo inesperado de encontros e significados.

Escrevo, pois sou uma vadia prenha de voláteis termos promíscuos que se emaranham em laços arredios, flácidos, largos.

Escrevo, pois quando sou tocado, ora em tabernas reles, ora ébrio sem forças esparramado como vômito em calçada ordinária, ora sobre uma privada enquanto cago minhas merdas inesperadas...

ENFIM APENAS ESCREVO...

sexta-feira, 2 de março de 2012

SOLIDÃO

Olhos embotados, displicentes, mornos, tombados, sem lascívia! Pele desbotada que não vive o ardor de outrora, o espírito em seu estado crepuscular... Padece a vida em seus retalhos a cada suspiro, a cada escarro, a cada trago desesperado que anseia por descanso...
_ Por favor, uma pinga... Clemente balbucia... Toma sua cachaça.... “Por favor, outra...” Sua fala ainda insípida... Pesados movimentos faciais... Mente imbuída pela reflexão de uma boa ordinária, líquido safado, viscoso, ardente...  Sua atenção se atém na visão do copo... Aspecto desanimador, se vê no vazio do recipiente, no vácuo da ausência de palavras... “Mais outra, ou melhor, por que não a garrafa?” Garrafa e copo na mesa. Mais um trago que se esvai pela carne morna. Pôs-se a espiar a botelha... A consome em goladas estrondosas, raivosas... Se esvai a garrafa se esvai parte de si... Incrédulo assiste a si mesmo em sua penúria íntima... Enfim tropeça e em seu socorro sua agonia infinda. A língua ferina de sarcasmos incansáveis a lamber suas chagas, suas feridas inevitavelmente expostas... Rasteja pelo chão crepuscular, fosco, gélido que lhe suga os ínfimos resquícios de sanidade... Respirar tísico, preguiçoso, vagabundo... Ergue-se vagaroso, mão no bolso, alguns trocados, um bar na esquina lhe inspira alguns passos... Se apóia no que lhe resta, esmaecido, rígido, esquálido, avança contra o balcão em regozijo perverso. ‘Mais uma pinga”. O corpo depois de muito esperar mais uma vez arqueja, respira a custo, leproso que se desfaz a cada pinga, a cada arfar incessante por finitude. Enfim se foi, enfim se erguem as garras do medo derradeiro! Apenas se faz escuro, o ultimo instante de luz esvaneceu-se. A foice elevou-se ao píncaro de sua sabedoria sobre a dor de um bêbado estropiado, roto, desventurado... Só lhe resta a carne, mas será dos ratos, dos vermes. Portanto nada mais a dizer, pois que fique assim, até que o esqueçamos, caro desconhecido de minhas lembranças mais vivas e obscuras...