Pálido, absorto em seu fracasso, em seu
amanhecer tardio, em seu aconchego choroso, imóvel, entorpecido pelas vaidades
a sussurarem luxúria nas entranhas de seu sugestionável e tolo espírito, bardo vadio cinzela suas lágrimas em páginas
de desvario, de dolência renitente e maldita, sujeito a fazer de si objeto de
sua amargura, de sua vingança, poetastro a versejar seu corpo em poesias
melancólicas, trôpegas, rotas, etílicas!
Lá fora a noite cai queixosa, em sua
desarmonia típica, em sua magia absoluta e inalcançável, testemunha solitária,
empática para com o vazio retumbante e desagregador de linhas caóticas,
traiçoeiras e soturnas, tão somente a se manifestarem em seu grito agudo,
horripilante e desfigurado. Transeuntes de molejos sádicos e hostis a romperem
nas entrelinhas de um texto escrito por mãos suaves, melindrosas, porém
sedutoras, dúbias, sacanas, inescrupulosas. Faces informes a pincelarem
balbucios, letra ininteligível, forasteira, de pura intensidade, desterritorializada,
deslocada em nomadismo incessante a produzir falhas, faíscas, rupturas no devir
selvagem de si para consigo, no vir a ser vertiginoso, raivoso, Cu a se
precipitar em desespero abismal, em sua imagem retalhada por silvo tentador de
víbora vadia. Movimento paralisante, circular, que nada produz, a não ser sua
angustia instransponível, enigmática, infinda...
Enfim tropeça no limite de sua agonia,
prestes a se lançar fora da cena de sua utopia desmedida, fátua. Talvez a
métrica de seu romantismo o aporrinhe, talvez as marcas de certos lábios, ou de uma caligrafia não tão distante,
reverberem em sua intimidade mais recôndita, ensimesmada. Boêmio, erastes,
amante que é, em seu vicio, em seu amor, em sua angústia...
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